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Fases do desenvolvimento da linguagem na infância

Foto do escritor: LADIP UnB
LADIP UnB
5 de out. de 2021
4 min de leitura

O processo de aquisição da linguagem verbal envolve o desenvolvimento de quatro sistemas interdependentes: o fonológico, relacionado com a percepção e a produção de sons para formar palavras; o semântico, atribuindo às palavras o seu significado; o pragmático, que se refere ao uso comunicativo da linguagem num contexto social; e o gramatical ou morfológico, compreendendo as regras sintáticas para combinar palavras em frases compreensíveis.

Infância, etimologicamente, deriva de latim infante, que significa “que ainda não fala”. No desenvolvimento da linguagem, há uma fase pré-linguística, em que são vocalizados apenas fonemas (sem palavras) e que pode persistir até aos 11-12 meses; quando na fase linguística, a criança começa a emitir palavras isoladas até o posterior desenvolvimento da linguagem verbal com toda a sua complexidade e riqueza de significados. A aquisição é contínua e ocorre de forma ordenada e sequencial, com sobreposição considerável entre as diferentes etapas deste desenvolvimento.

Assim, a aquisição da linguagem representa a interação entre todos os aspectos do desenvolvimento físico, cognitivo, emocional e social da criança. À medida que amadurecem as estruturas cerebrais necessárias à produção de sons, à discriminação auditiva, ao controle fonatório da fala, há maior complexidade na associação de significados e contextos que facilitam tanto a forma, a interação como a comunicação social da criança com os pais, outros adultos, outras crianças e com ela mesma. Tal desenvolvimento formará a base da natureza narrativa do discurso, do pensamento e da metacognição.



FASES DO DESENVOLVIMENTO


O balbucio inicia-se ao redor dos 3 meses e os bebês partem da imitação acidental dos sons ouvidos e, posteriormente, evoluem para uma imitação mais voluntária. Por volta do final do 1º ano de vida, as crianças emitem a sua primeira palavra e, cerca de 8 meses a 1 ano mais tarde, começam a falar utilizando frases. O choro também expressa uma comunicação bastante variada do lactente e os pais muitas vezes são capazes de distinguir seu significado pelos diferentes matizes, tonalidade e intensidades que podem sinalizar fome, sono ou aborrecimento.

Durante as 6 semanas e os 3 meses de vida, os bebês começam a produzir sons quando estão contentes emitindo murmúrios e sons vocálicos. Dos 3 aos 6 meses, os bebês começam a brincar com os sons da fala e tentam ajustá-los de acordo com as pessoas que encontram à sua volta. Entre os 6 e os 10 meses, a criança começa a repetir sequências de consoantes-vogais como “ma-ma, da-da, pa-pa”. Esta lalação não é uma verdadeira linguagem, na medida em que não comporta significado.

O desenvolvimento da linguagem prossegue com a imitação acidental dos sons da fala que as crianças ouvem e depois reproduzem. Com cerca de 9 a 10 meses de vida, os lactentes imitam deliberadamente sons sem os compreenderem. Acredita-se que lactentes começam a reconhecer os sons da fala ainda no útero. São capazes de distinguir sons da fala da língua materna. Lactentes com 8 meses prestam atenção ao modo como as palavras soam e armazenam esses padrões de sons na memória. Aparentemente, ao prepararem-se para compreender o discurso, começam por se familiarizar primeiro com os sons das palavras e, mais tarde, associam-lhes significados. Entre os 9 e os 12 meses, aprendem alguns gestos sociais convencionais, como dizer adeus, abanar com a cabeça para significar sim, abanar com a cabeça para significar não e por volta dos 13 meses, a criança usa gestos representacionais mais elaborados como, por exemplo, leva uma xícara vazia à boca ou levanta os braços para mostrar que quer ser levado ao colo. Gestos simbólicos, tais como soprar para significar “quente”, geralmente emergem na mesma fase que a criança pronuncia as suas primeiras palavras; esses gestos revelam que as crianças compreendem que os objetos e as idéias têm nomes e que os símbolos podem referir-se a coisas, episódios, desejos e circunstâncias específicas do cotidiano.

A criança emite, em média, a primeira palavra por volta dos 10 meses, iniciando o discurso linguístico, ou seja, a expressão verbal que veicula um significado. Passará a usar muitas palavras e irá mostrar alguma compreensão da gramática, da pronúncia, da entoação e do ritmo. Assim compreendem muitas palavras antes de serem capazes de utilizá-las, ou seja, o seu vocabulário passivo desenvolve-se mais rapidamente do que o seu vocabulário ativo. As primeiras palavras compreendidas entre os 9 ou 10 meses são as que, em geral, ouvem mais vezes. Essas palavras são o seu próprio nome e a palavra “não”. Por volta dos 13 meses, a maioria das crianças compreende que uma palavra representa um objeto ou acontecimento específico, podendo rapidamente aprender o significado de uma nova palavra. À medida que as crianças começam a depender mais das palavras para se expressarem, os sons e os ritmos da fala tornam-se mais elaborados. O vocabulário continua a aumentar e o avanço linguístico seguinte ocorre quando uma criança pequena junta 2 palavras para expressar uma idéia. A primeira frase da criança está, normalmente, relacionada com acontecimentos rotineiros, objetos, pessoas ou atividades que a rodeiam. As crianças, inicialmente, utilizam o discurso telegráfico, o qual, como a maioria dos telegramas, inclui apenas algumas palavras fundamentais, as palavras de conteúdo. Entre os 20 e os 30 meses, adquirem os fundamentos da sintaxe, ou seja, as regras para juntar frases na sua língua: começam por usar artigos, preposições, conjunções, plurais, terminações de verbos, tempos passados dos verbos e a forma do verbo “ser”. Por volta dos 3 anos, o discurso é fluente, mais extenso e complexo; apesar das crianças, muitas vezes, omitirem partes do discurso, conseguem manter o seu significado.



Referências:

MELLO, C. B., MUSZKAT, M. Neurodesenvolvimento e linguagem. In: MELLO, C. B.; MUSZKAT, M.; MIRANDA, M. C.. Neuropsicologia do desenvolvimento: conceitos e abordagens. São Paulo: Memnon, 2006. Cap. 5. p. 1-15.


SCHIRMER, C. R.; FONTOURA, D. R.; NUNES, M. L.. Distúrbios da aquisição da linguagem e da aprendizagem. Jornal de Pediatria. Porto Alegre, p. 95-103. abr. 2004. Disponível em: https://www.scielo.br/j/jped/a/46wvNTtYV4bpLw7k5tbyZ3b/?lang=pt#ModalArticles. Acesso em: 08 set. 2021.


 
 
 

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